
O Dia em Que Descobri o “Uniforme de Advogado”
Durante muitos anos atuei como gestor em empresas de telefonia. O ambiente corporativo me colocou em contato direto com executivos e altos funcionários de grandes empresas, que eram, muitas vezes, meus clientes.
Com base na Programação Neurolinguística (PNL), eu me esforçava para criar empatia: procurava falar como eles, vestir-me como eles e portar-me de acordo com o ambiente. A lógica era simples — ser semelhante para gerar conexão.
Um dia, porém, recebi um conselho que mudou a minha forma de enxergar a advocacia.
Um cliente, que depois se tornou meu amigo, me chamou de lado e disse algo inesperado:
— Por que você não usa o uniforme de advogado?
Na hora, fiquei surpreso. Eu expliquei que estava apenas tentando criar rapport, me integrando ao grupo. Ele então foi direto:
— Roberto, todos aqui já têm executivos para conversar. O que eles esperam de você é o advogado. O linguajar jurídico, a postura firme, o terno preto e a gravata. Essa é a sua identidade profissional. Quando você se apresenta como um de nós, perde impacto. Mas quando aparece como advogado, se diferencia e se valoriza.
Resolvi seguir a sugestão. Na reunião seguinte, fui com o “uniforme de advogado”: terno preto, gravata sóbria e postura altiva. O resultado foi imediato. As pessoas me olhavam de outra forma, a autoridade era reconhecida e as conversas fluíam de forma muito mais eficaz. Vender meus serviços se tornou mais natural, porque eu não era mais visto como apenas “mais um executivo”, mas como o profissional jurídico que eles esperavam.
A lição
Na advocacia — e em qualquer carreira — a imagem comunica antes mesmo das palavras. Não basta ter conhecimento; é preciso transmitir autoridade também na forma de se apresentar.
Vestimenta, postura e linguagem compõem um verdadeiro cartão de visitas.
Muitos advogados acreditam que, para conquistar clientes, basta se adaptar ao estilo do público. Mas, na prática, o que gera impacto é assumir plenamente o papel esperado: o do advogado que transmite segurança, confiança e autoridade.